quinta-feira, 27 de novembro de 2008

"A minha melhor experiência bambiarra" ou "o golo do milénio com uma virilha de mierse" por SJ

A melhor experiência bambiarra que vivi, foi sem dúvida, os golos que marquei com a camisa suada e apertada desta colectividade ímpar, e que guardo no meu baú das recordações que fazem desta vida, mais do que um débito crédito do ram ram.


O primeiro golo oficial, foi na temporada 2005/2006, cujo jogo ocorreu nos Prazeres e onde a equipa contrária, apresentem um leque de pedreiros, que fazia do mapa de salários da Soares da Costa, uma lista de prémios Nobel, tal era a bronquice aguda que reuniam, incluindo até veteranos do bate chapa. Pois bem, dadas as evidencias, o nosso mister reservou-me para o lavar dos cestos, quando a equipa contrária já pensava que tínhamos dado o fogo todo, e eis que fui colocado à cabeça do bicho, qual lança em África, coadjuvado por um extremo de créditos firmados, o Gonzalo, que na altura ainda patenteava uma frescura física assinalável, e que pouco a pouco fez-me acreditar que bastava correr e provocar umas arapongas na defesa, que o sucesso seria garantido. Acontece que numa dessas arrancadas não consegui convencer o meu corpo por inteiro a arrancar, e o gajo que me anda agarrado, afincou o pé e deu-me um esticanço na virilha, fazendo a minha tarefa ainda mais herculeana. Eis que numa perdida de bola a meio campo, desta vez da parte do adversário, meti avante a todo o vapor e descarreguei o meu lastro relvado abaixo, ignorando a virilha débil, e fugindo á marcação dos artolas, corri…corri… e dei por mim à frente da defesa, e …em jogo! Bastou-me escorregar linha adentro com a bola, entregue pelo eficiente extremo, e assinalar o golo da viragem do resultado. Nem a virila me calou, foi uma alegria ver 130 kilos em tamanha progressão e acto contínuo e conclusivo, envergonhando muito magro, careca e feio que anda por aí no pavoneanço.


O segundo golo oficial, foi no jogo deste ano em Outubro, no Estádio Rui Alves, e onde despachei a redondinha lá para dentro de pé esquerdo e à entrada da área, marcando o nosso 2-1 rumo a mais uma cabazada histórica, e nada previsível face aos esforços do adversário em recrutar a nata do futebol burguês e assalariado da mamadeira. Foi bonito, mas o primeiro golo, foi do milénio.


Estranhamente, as más recordações, não me ocorrem nenhuma em particular, talvez a da Boaventura, onde os nervos estavam à flor da pele, talvez por ter sido enviado para a equipa contrária e ter castigado uns bambis sem aviso prévio, mas nada que não se serenasse logo de seguida. O problema foi o chavascal na Casa de Palha, isso aí foi feio, mas também senão fosse, tinha sido uma murchesa. Outros factos, de registo, sem dúvida a ida em Bambimóbil, para os Canhas e a vinda, interminável, a despachar rótulo preto de tampinha, com o Cardoso a fazer mierse da grossa.


Enalteço também a capacidade organizativa desta colectividade, que possibilitou a um amador esforçado, a possibilidade de jogar em palcos vedados apenas a profissionais do esférico, e a conhecer os meandros do balneário (obviamente não incluo o episódio do boneca insistir em levantar o sabão do chão dez vezes seguidas) e poder manter contacto com a malta bambi, cada vez mais espartilhada nas suas vidas.


Um bem haja a todos e venha o próximo jogo..!

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